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Estratégias de combate ao câncer da mulher são discutidos durante Fórum

 

Foto: Thamires Rodrigues de Oliveira

Foto: Thamires Rodrigues de Oliveira

30/11/2017

Fortaleza recebe pela primeira vez o Fórum de Combate ao Câncer da Mulher, evento anual promovido pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA). Realizado nos dias 29 e 30 de novembro, foi marcado pela troca de experiências intensa entre membros de ONGs, pacientes e médicos especialistas, a fim de fomentar estratégias e ações a nível nacional de enfrentamento da doença. 

“A FEMAMA reúne 70 organizações e pauta sua atuação em iniciativas que possam impactar diretamente a vida de mulheres que vivem com o câncer. Nesse sentido, o Fórum reforça o trabalho que desenvolvemos durante todo o ano, empoderando pacientes e munindo-as de informações para que se movimentem e busquem compreender sua doença e exigir o acesso ao diagnóstico e tratamento”, afirmou a mastologista Maira Caleffi, presidente voluntária da FEMAMA.

Ainda, reforça: “Tudo o que foi dito é para educar e promover o acesso ao conhecimento de assuntos pertinentes sobre o câncer. Com isso, nosso objetivo é fornecer ferramentas para que essas mulheres façam a diferença no futuro de muitas que infelizmente têm ou terão a doença. Estimulamos, então, uma transição: deixar de ser um paciente passivo para tornar-se um ativo, com embasamento para defender essa causa”.

Panorama: do diagnóstico ao tratamento

A primeira palestra foi do oncologista clínico Markus Gifoni, do Hospital São Carlos, que apresentou um panorama do câncer. “Dentro de poucos anos, o câncer será considerado a principal causa de morte no mundo. Estimativas apontam que em 2035, serão registrados 24 milhões de novos casos globalmente, com 14,6 milhões de óbitos – por isso, precisamos educar e difundir a informação correta e de qualidade”, disse. “O câncer não é somente uma doença, mas um guarda-chuva que reúne mais de 200 tipos de tumores. De mama, conhecemos cinco diferentes: cada um com história, prognóstico, e resposta distintos. Logo, não podemos trata-los de forma igual – são, essencialmente, doenças diferentes”, alertou o Dr. Gifoni.

A detecção precoce é a chave para aumentar a chance de cura do câncer e, desta maneira, a atenção a fatores de risco é primordial. “O tabagismo, por exemplo, é a principal causa de câncer, responsável por 21% dos diagnósticos – aumenta as chances não só de desenvolver o de pulmão, mas também de mama.”, disse o médico do Hospital São Carlos.

Já referente ao acesso a alternativas terapêuticas eficazes, Markus Gifoni citou o caso do trastuzumabe para câncer de mama metastático HER2+. “A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) reconheceu apenas esse ano a necessidade do medicamento e aprovou sua inclusão na rede pública para essas mulheres. O medicamento já estava disponível desde 2012 para pacientes com a doença em estágios menos avançados”, explica. “Dados apontam que, se acessível às pacientes, mais de 4872 mortes prematuras poderiam ter sido evitadas entre 2005, quando o tratamento chegou ao Brasil, e 2012, quando passou a ser ofertado no SUS para doença localmente avançada. Apenas agora as pacientes com câncer de mama metastático, anos depois, poderão se beneficiar também do tratamento”.

De acordo com Gifoni, o investimento em saúde do Brasil é baixo com relação a outros países desenvolvidos. Ao mesmo tempo, a oncologia apresenta avanços que naturalmente elevam o custo das alternativas de diagnóstico e tratamento. Dessa forma, mais pacientes ficarão de fora de diagnósticos de precisão e tratamentos de grande impacto na cura e controle do câncer.

Frente Parlamentar do Câncer na Mulher

No encontro, a deputada Liziane Bayer (PSB-RS) anunciou a criação da Frente Parlamentar do Câncer na Mulher no Rio Grande do Sul, como uma consequência de articulações feitas no Estado durante o Outubro Rosa, que será lançada em janeiro de 2018. “Compreendemos que essa luta estende-se a vários campos e que precisa, sim, ter representatividade no meio politico. Provoquem iniciativas semelhantes nos Estados de vocês, com parlamentares que podem encabeçar esse projeto: um dos maiores entraves para a melhoria da oncologia é a política”, conclamou.

Genética e câncer

O Dr. Rodrigo Santa Cruz Guindalini, coordenador do Centro de Genética e Prevenção do Câncer do Grupo CAM, explicou o que é código genético e o que suas mutações representam no acompanhamento desses pacientes. O especialista ressaltou o avanço dessa área da medicina nos últimos anos. “O primeiro sequenciamento genético, feito em 1990, demorou 11 anos para ser concluído e custou 2,3 bilhões de dólares. Hoje, isso custa cerca de mil dólares e leva dois dias”, disse.

“As alterações mais comuns em casos de câncer de mama são a BRCA 1 e 2, que correspondem a aproximadamente 50% das doenças com origem genética. Por exemplo, uma mulher comum de 70 anos, apresenta 12% de chance de desenvolver câncer de mama. Em uma com alteração BRCA 1 ou 2, esse percentual chega a 87%”. Esses exames já estão disponíveis na rede suplementar de saúde para mulheres diagnosticada antes dos 35 anos. Esses testes genéticos diminuíram muitos de preço e não há mais motivo de não ser oferecido a toda a população de risco no Brasil. Muito pode ser feito preventivamente a partir do resultado da mutação genética.

Não à toa, a inclusão desses testes no SUS é uma das demandas da FEMAMA frente ao Governo Federal. “Além de primordial para o prognóstico da própria paciente, a análise genética permite prevenir o câncer também em sua família, haja vista a probabilidade de seus filhos de herdarem o gene alterado é de 50%. É o tipo de informação mais valiosa que podemos fornecer, já que pode mudar a vida e antecipar problemas oncológicos em toda a árvore genealógica”, afirmou.

O papel da Sociedade Civil

Evelyn dos Santos, analista de Projetos do Instituto Desiderata, ministrou palestra sobre o papel da Sociedade Civil diante das demandas oncológicas a partir de sua atuação no câncer pediátrico. “Apesar de corresponder a somente 3% de todos os diagnósticos da doença no Brasil, o câncer pediátrico é a principal causa de morte entre pessoas de cinco a 19 anos de idade. Quando aliamos detecção precoce e acesso ao tratamento, as chances de cura chegam a 80%”, explicou.

Afirmou, ainda, que a Sociedade civil pode contribuir para aprovação e implementação de políticas públicas, levando seus interesses aos órgãos responsáveis e cobrando o acesso à informação referente às diferentes neoplasias.

Autocompaixão

No segundo dia de evento, Felipe de Souza, psicólogo e presidente do Instituto Felipe de Souza, falou sobre mindfulness, que corresponde à nossa capacidade cognitiva de prestar atenção ao momento presente.

De acordo com Souza, a autocompaixão permite que olhar para si da mesma forma que lida com o próximo, de uma maneira gentil e calorosa. “A autocompaixão envolve reconhecer o sofrimento e inadequações pessoais como parte da humanidade, ou seja, algo comum a todos. Tal postura pode, inclusive, trazer resultados à saúde e ao bem-estar”, esclareceu o psicólogo.

A programação da tarde de 30 de novembro segue abordando temas relacionados ao empoderamento de pacientes e pautas envolvendo projetos realizados pela FEMAMA, com o objetivo de fortalecer a rede de instituições filantrópicas associadas à Federação.

O IV Fórum de Combate ao Câncer na Mulher contou com investimento social das empresas AstraZeneca, Extra, Novartis e Roche, além do apoio da Associação Nossa Casa de Apoio à Pessoas com Câncer, associada da FEMAMA no Ceará, Azul e Condor.  
 

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