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Projeto da AAPCMR leva autoestima a pacientes oncológicas através da produção e empréstimo de perucas

 

Foto: AAPCMR/Divulgação

Foto: AAPCMR/Divulgação

11/04/2018

Elevar a autoestima das mulheres em tratamento oncológico é o objetivo do projeto Ateliê Amor em Fios, desenvolvido por voluntárias da Associação de Apoio aos Portadores de Câncer de Mossoró e Região (AAPCMR), ONG associada à FEMAMA em Mossoró (RN).

Através da iniciativa, as voluntárias, algumas das quais já enfrentaram os desafios impostos pela luta contra o câncer, produzem perucas com fios naturais para serem emprestadas a pacientes que, em decorrência da quimioterapia, perdem o cabelo.

Cada fio acrescido às perucas por meio do trabalho envolve, como o próprio nome do projeto já insinua, doses de amor. Todo esse processo começa com as doações de cabelo, realizadas por diferentes pessoas que chegam à instituição com um único objetivo, fazer o bem ao próximo.

Flávia Araújo é voluntária. Além de ajudar no Ateliê, ela contribuiu com a doação. “Eu já tinha vontade de doar meu cabelo e surgiu a oportunidade depois que eu vim aqui ajudar. Foi melhor ainda. Conheci o trabalho e deu mais vontade de doar”, conta. E não foi só o próprio cabelo que Flávia levou para o projeto. “O meu, o da minha mãe e uma doação de um salão”, acrescenta.

Após a doação, as mechas são separadas conforme características como comprimento e cor. Para produção de cada peruca são utilizadas de sete a dez doações e todo o processo artesanal é desenvolvido por mulheres que, antes de moldes e telas, utilizam a solidariedade.

“Eu me sinto muito feliz em fazer esse trabalho. Para mim, é tudo na vida”, diz a ex-paciente, Neide Melo, que faz parte do projeto desde o início. “Tenho orgulho em fazer esse trabalho”, ressalta a voluntária que considera que o pagamento é a alegria proporcionada a outras mulheres.

“É muito gratificante participar do projeto Ateliê Amor em Fios, porque eu passei pelo problema e sei, senti na pele, todo o drama que é a pessoa ficar sem cabelos. Sei a dificuldade também de comprar uma peruca, porque é muito cara e a demanda de medicação, exames é urgência. Uma peruca vai ficando para depois”, acrescenta Eliane Sobral, que também é ex-paciente oncológica e iniciou o trabalho com Neide.

“Mas é uma satisfação muito grande ver no rosto das pessoas a alegria de receber uma peruca. A gente sente mesmo que elas ficam totalmente transformadas. É um brilho, um sorriso no rosto que não tem dinheiro que pague”, complementa Eliane.

Das mãos que tecem amor à cabeça que se enche de gratidão

Cada peruca leva cerca de 15 dias para ficar pronta. Quando o trabalho é finalizado, elas são emprestadas a mulheres que perderam o cabelo e desejam fazer uso do utensílio. Isso porque, cada paciente tem a sua própria forma de reagir ao tratamento e nem todas desejam usar peruca. A individualidade é respeitada e elas escolhem como expor a própria beleza.

Fabiana Oliveira é uma das pacientes que será beneficiada com uma peruca, que será entregue na próxima quinta-feira, 12. Ela tem 35 anos e desde 2013 luta contra o câncer de mama. Para ela, o recebimento da peruca vai ajudar a melhorar a autoestima. “A expectativa é ótima, de mudar o visual” conta Fabiana.

O empréstimo se estende até o momento em que o cabelo da paciente volta a crescer e ela decide que não quer mais utilizar a peruca. Então, o objeto é devolvido e restaurado para que outra mulher possa utilizá-lo.

Solidariedade que contagia

Assim como Flávia Araújo, que doou seu cabelo, nem todas as mulheres que integram o projeto são ex-pacientes. Mas inspiradas em seus exemplos, algumas delas foram contagiadas pela ideia de fazer o bem.

É o caso de Eilza Sobral, que decidiu se dedicar ao projeto após a luta da irmã, Eliane Sobral, contra o câncer. “Quando um dia minha irmã disse que iria aprender a fazer peruca, eu disse logo: ‘pelo amor de Deus, não invente isso. É muito difícil’. Ela encarou. Foi para Natal e aprendeu a fazer as perucas com uma amiga que tinha passado pela mesma situação que ela, câncer de mama. Ninguém melhor que elas duas para entender a importância de uma peruca para uma pessoa que passa por tratamentos oncológicos e perde o cabelo, pois quando a pessoa chega nesse estágio ela se desnuda perante a sociedade e fica evidente para todos que está fragilizada e passa por momentos difíceis”, relembra Eilza.

“Então o processo de confecção de perucas foi iniciado, mas ainda existia uma grande dificuldade para finalizar, fazer o topo como nós chamamos no Ateliê. Foi quando percebi que precisava ajudar de alguma forma. Comecei fazendo trabalho em casa e, desde o ano passado, passei a dedicar um dia na semana para ajudar a fazer as perucas. Tentamos ajuda de algumas pessoas, até de outros estados, para tentar melhorar o resultado final e depois de muita dedicação e boa vontade, hoje fazemos parte do Ateliê Amor em Fios. Tenho muito orgulho em fazer parte desse time e fico cada vez mais feliz com a sensação de que nosso trabalho não pode parar a cada peruca que entregamos e vemos o quanto esse acessório tem um significado tão importante na vida das pessoas”, finaliza Eilza Lima Sobral.

Critérios para doação de cabelo

Antes de cortar o cabelo para doação, as (os) voluntárias(os) têm que estar atentas (os) a alguns critérios. Em primeiro lugar, os cabelos têm que estar lavados e secos. Após a secagem o (a) profissional que realizará o corte deve prender o cabelo com elástico, de modo que o cumprimento da mecha a ser doada seja de, no mínimo, 20 centímetros. O corte deve ser feito logo acima da liga.

Todos os tipos de cabelo estão aptos à doação, desde que atendam os critérios citados. Cabelos com química, inclusive, também podem ser doados. As mechas são entregues na sala do projeto, que funciona na Unidade Adulto da AAPCMR, localizada na Rua Miguel Antônio da Silva Neto, 5, bairro Aeroporto (próximo ao Hospital Tarcísio Maia), em Mossoró (RN).

  • Foto: AAPCMR/Divulgação
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