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Estudo questiona mamografia para diagnóstico precoce

 

08/11/2011

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Referente à matéria “Estudo questiona mamografia para diagnóstico precoce” publicada em 25/10/2011 na Folha de São Paulo

A FEMAMA – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama manifesta seu descontentamento em relação à matéria “Estudo questiona mamografia para diagnóstico precoce”, publicada em 25/10/2011, no Jornal Folha de São Paulo. Tendo em vista o papel da entidade de informar e conscientizar a comunidade brasileira sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama a fim de reduzir os índices de mortalidade pela doença, a FEMAMA vem por meio desta esclarecer dados referentes ao exame de mamografia veiculados em tão abrangente veículo de comunicação.

Apesar de não ser o método ideal, a mamografia (radiografia da mama) ainda é o melhor método de rastreamento que dispomos. O exame permite a detecção precoce do câncer, ao mostrar lesões em fase inicial, muito pequenas (medindo milímetros). Deve ser realizada anualmente por mulheres acima de 40 anos de idade ou segundo recomendação médica.

Ao estabelecer que todas as mulheres tenham direito à mamografia a partir dos 40 anos, a Lei 11.664/2008, que entrou em vigor em 29 de abril de 2009, reafirma o que já é estabelecido pelos princípios do Sistema Único de Saúde. Embora tenha suscitado interpretações divergentes, o texto não altera as recomendações de faixa etária para rastreamento de mulheres saudáveis.

O número de biópsias e cirurgias desnecessárias pode ser reduzido com a melhoria da qualidade dos exames e com melhor preparo técnico dos profissionais de saúde envolvidos no diagnóstico e no tratamento dessas pacientes. Sabemos que os exames de rastreamento são uma das partes importantes para a redução da mortalidade, mas também é importante o tratamento adequado, em tempo apropriado. De nada adianta o diagnóstico precoce se este não se seguir de um pronto e adequado tratamento.

Ao contrário da interpretação proposta pela reportagem, não se trata de afirmar que “só 10% tiveram sua vida salva pelo exame”, mas, ao contrário, que 10% das mulheres tiveram suas vidas salvas APENAS pela realização do exame periódico.

Os resultados do estudo apresentado na matéria não são baseados em dados reais, mas, sim, inferências estatísticas de outros estudos. Os autores fazem uma série de presunções estatísticas que colocam em dúvida a validade do estudo em questão.

Os dados utilizados são estatísticas americanas provenientes dos estudos "Observed risk of developing breast cancer in next 10 y", "Proportion of breast cancers found by mammography", "Observed risk of death in the next 20 y" para se calcular o benefício da redução de mortalidade pela mamografia.

No entanto, a fonte dos dados estatísticos assumidos (DevCan e Breen N et al) já sofreu impacto dos benefícios da mamografia, por serem dados recentes. Portanto, isto invalida qualquer tipo de resultado apresentado neste estudo.

Seria a mesma coisa que avaliar o impacto de um antibiótico para combater uma infecção num estudo onde todos os pacientes já tomaram este antibiótico. Ou seja, somente os estudos prospectivos (trials comparativos) poderiam responder esta pergunta. E estes resultados nós já sabemos: um impacto em redução de mortalidade em até 30%.

O rastreamento mamográfico é a forma recomendada pela maioria dos países e pelas melhores diretrizes médicas. Sua efetividade na redução da mortalidade só atinge seu pleno potencial quando a cobertura do rastreamento chega a 70% da população em idade de risco, e o Brasil está bem longe dessa meta.

Aqui no Brasil trabalhamos muito para diminuir a incidência de neoplasias em estágios avançados, onde as chances de cura são muito reduzidas. Em nosso país, mulheres que TEM sintomas e não procuram a devida atenção, evoluem com tumores que levam à morte. Por isso incentivamos que elas se cuidem, incluindo a rotina de fazer a mamografia. Temos uma incidência de um caso novo de neoplasia de mama a cada 11 minutos. Mais de 30 mulheres morrem por dia, no País, em decorrência do câncer de mama, bem diferente dos EUA, onde a chance de cura das diagnosticadas passa de 90%.

Não podemos permitir que o nosso sério trabalho de conscientização, através do Movimento Mundial Outubro Rosa e da Campanha “Faça por mim”, estrategicamente desenvolvida para o nosso contexto, seja colocado em dúvida e, conseqüentemente, prejudique ainda mais todos os esforços que temos feito pela redução da mortalidade por câncer de mama no Brasil.

A FEMAMA é uma associação civil, sem fins lucrativos, presente em 16 estados brasileiros e no Distrito Federal, por meio de 53 entidades associadas. A entidade atua na articulação de uma agenda nacional única para influenciar a formulação de políticas públicas de atenção à saúde da mama no Brasil. É fundamental que as informações sejam esclarecidas à população brasileira com base em dados do contexto nacional, os quais divergem da realidade norte-americana abordada pela reportagem.

Os médicos especialistas e representantes da FEMAMA se colocam à disposição para mais informações e detalhes sobre o tema do câncer de mama, certos da transparência e pluralidade de tão renomado veículo de comunicação brasileiro.



Dr. Ricardo Caponero
Oncologista
Presidente do Conselho Técnico Científico da FEMAMA

Dr. José Luiz Bevilacqua
Mastologista
Membro do Conselho Técnico Científico da FEMAMA

Dra. Maira Caleffi
Mastologista
Presidente da FEMAMA
 
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