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O que esperar do câncer de mama em 2011?

 

01/12/2010

Por Dra. Maira Caleffi, Médica Mastologista
Presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama
Para o Jornal Febrasgo dez/2010

O tema câncer de mama ganhou grande repercussão recentemente com os inúmeros eventos organizados internacionalmente em torno da iniciativa Outubro Rosa, visando chamar a atenção para a doença. A esperança para os próximos anos é que todas essas mobilizações ajudem a reverter a projeção para 2030 divulgada pelas organizações American Cancer Society, Lance Armstrong Foundation e Susan G. Komen for the Cure em 2008, que prevê o diagnóstico aproximado de 26 milhões de novos casos de câncer, ocasionando 17 milhões de mortes.

Os Estados Unidos foram pioneiros em organizar iniciativas que colaborassem com a massificação da consciência sobre prevenção ao câncer de mama. O movimento Outubro Rosa começou em 1997 em Yuba e Lodi, na Califórnia, quando monumentos e prédios foram iluminados com a cor rosa. Aos poucos a iniciativa foi disseminada ao redor do mundo, como na Itália com a iluminação da Torre de Pisa, o Arco do Triunfo em Paris, entre outros países. Em 2008 a campanha foi trazida pela FEMAMA ao Brasil com a iluminação do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e a organização de várias atividades de divulgação da causa.

Em seu primeiro ano no Brasil, o Outubro Rosa teve como objetivo mostrar para as mulheres que só o autoexame não é o bastante para o diagnóstico, como era comumente divulgado. Para reforçar a mensagem, a FEMAMA encomendou uma pesquisa no mesmo ano ao Datafolha sobre o tema: O conhecimento das brasileiras sobre o câncer de mama. O resultado mostrou que 82% das entrevistadas consideram essa técnica como suficiente. Entretanto, a melhor forma para a detecção precoce é a mamografia. Diante deste cenário, em 2009 a FEMAMA procurou dar continuação à mensagem transmitida no ano anterior: a importância da mamografia.

O objetivo da campanha Outubro Rosa foi favorecido com a regulamentação em abril do mesmo ano, da Lei Federal que garante o direito de realização da mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres a partir dos 40 anos. Com essa “arma” em mãos, a FEMAMA realizou diversas ações para informar a população sobre a nova lei com o slogan de “Mamografia agora é Lei!”. A mensagem foi bastante disseminada em todos os estados brasileiros por meio da mídia e das atividades realizadas pela organização. Ainda assim, o índice de mortalidade por câncer de mama continua a crescer devido à falta de diagnóstico precoce. A parceria com os ginecologistas brasileiros pode ter um grande impacto no atendimento ágil e de qualidade, e no aumento do diagnostico precoce do câncer de mama. Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer) haverá uma média de 49 mil novos casos em 2010 no Brasil.

Por essa razão, o Outubro Rosa 2010 focou na questão do investimento como obrigação tanto da população, como do governo e do empresariado. Afinal, não basta apenas orientar a população sobre a importância da mamografia e garantir o acesso ao exame, se a paciente é obrigada a esperar meses para iniciar o tratamento. A lentidão no SUS é tempo suficiente para o câncer avançar. O tumor pode chegar a duplicar de tamanho em três meses. A expectativa para 2011 é que a nova presidência brasileira seja uma oportunidade para novos métodos viáveis de gestão pública de saúde; que os empresários invistam mais em programas de responsabilidade social voltados à saúde da população; e que as mulheres brasileiras tenham mais consciência sobre a importância do autocuidado e das visitas frequentes ao médico.



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