Familiares e cuidadores

Durante a descoberta do câncer de mama, é normal que não só a vida da paciente como também da família e dos amigos sejam afetadas. Se você é membro da família, amigo ou cuidador de alguém com câncer de mama é importante que você saiba lidar com os desafios da doença juntamente com seu ente querido. Leia nossos conteúdos a respeito.

Depoimentos

Nara Regina

Meu nome é Nara Regina e minha batalha começou antes mesmo do diagnóstico, pois quase fui a nocaute quando meu companheiro, amigo e verdadeiro amor permaneceu comigo nesta vida por 6 anos, mas que vale uma eternidade. Ainda atormentada pela situação, fui surpreendida com um tumor de 11 cm, do tipo HER2+. Diante de tal sentença, não me restava alternativa, senão entrar para um grupo de pesquisa e aguardar o “sorteio” de uma medicação que pudesse diminuir o nódulo.

Me recordo dos momentos difíceis que antecederam minha cirurgia, realizada pelas abençoadas mãos da Dra. Maira Caleffi e equipe. Uma mastectomia total no seio esquerdo, com retirada de linfonodos, no braço deste mesmo lado. Apesar do sucesso da cirurgia comecei a sentir muitas dores, entre elas, na alma.

Cheguei a pensar que não suportaria as sessões de quimioterapia, pois os sintomas aumentavam constantemente e meu organismo parecia não concordar com aquele sofrimento. Então, se não podia derrotar meu adversário, tinha que me aliar a ele.

Sempre fui muito fashion e vaidosa, por essa razão decidi que esse diagnóstico não era o suficiente para eu perder minha essência feminina. Com isso, raspei o cabelo antes mesmo de caírem, resgatei minha porção “are baba” e usei toda a sorte de lenços, inventava uma amarração diferente a cada dia. O mais difícil foi perder os cílios e a sobrancelhas, porém me fez descobrir que quanto mais eu contornasse os olhos com kajal, menos se percebia a ausência deles, logo, mais bonita eu ficava.

Me internei inúmeras vezes e, devido aos efeitos colaterais, perdi mais de 15 kg, os quais não espero encontrar mais. Como Deus reserva sempre um momento especial para cada um de nós, quase dois anos após a descoberta do câncer, já no fim do tratamento, fiz minha reconstrução mamária e retirei da outra mama dois nódulos que surgiram. O resultado superou minhas expectativas.

Aquele diagnóstico inicial, que para muitos parece ser uma sentença de morte, me alforriou para a vida de forma plena. Tenho certeza de que só consegui vencer essa batalha porque tive uma equipe médica competente, apoio familiar e muita fé.

As principais armas para vencer essa guerra vieram, principalmente, do meu filho Vittório e da minha cunhada Rosa, que me deram foco, esteio e segurança. Se hoje me sinto mais capacitada, decidida, corajosa e feliz, devo isso a eles. Acredito que o câncer de mama veio para reescrever minha história e me livrar do “coma” que vivia. Hoje, tenho plena consciência da minha responsabilidade como mulher e cidadã.

Tenho 49 anos, sou advogada de formação, corretora de imóveis por necessidade e voluntária do IMAMA por opção. Desejo a todos que passam ou passaram por esse momento: muita luz, fé e coragem. Espero que a Paz, que guia o meu coração, possa estar sempre com vocês, Nara.

Nara Regina

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Rita Fedon

Olá,

Meu nome é Rita Fedon e gostaria de dizer que fiquei muito feliz por estar participando desta campanha. Tive meu primeiro câncer aos 36 anos, enquanto ainda morava na Itália, pois precisava resolver a documentação referente à morte do meu pai. Sou uma pessoa de origem humilde e não tinha dinheiro suficiente para me sustentar, por isso tive que trabalhar em um restaurante modesto, porém muito agradável.

Durante um dia comum de trabalho,notei que um líquido rosado saia do meu seio. Imediatamente mostrei para minha chefe, que me levou ao consultório de sua médica. A Dra. havia me solicitado a mamografia, mas como não dominava o idioma, apenas fiz o dolorido exame sem ao menos entender sobre o que se tratava.

Nunca tinha feito uma bateria de exames, pois só ia ao médico quando sentia dor. Na manhã seguinte, fomos visitar a doutora para descobrir o resultado. Fiquei ali sentada e, enquanto elas conversavam, podia sentir que tinha algo de errado.

Minha chefe, chorando, caminha lentamente na minha direção dizendo que eu precisava fazer uma biopsia, pois nódulos foram diagnosticados. Já no hospital, meus colegas de trabalho, também chorando, me desejavam boa sorte e me presenteavam com santinhos, doces e tudo mais. Comecei a me preocupar.

Ainda estava anestesiada pela biopsia quando recebi a notícia. Foram encontrados três nódulos malignos. Enquanto eu apenas olhava aquele curativo no meu peito, tentava entender o que acontecia comigo.

Tudo que eu mais queria naquele momento eram meus filhos, que estavam no Brasil, mas o que eu tinha mesmo eram pessoas desconhecidas ao meu redor, que me enchiam de carinhos e presentes.

Passei por uma mastectomia total no seio esquerdo, foram tirados os linfonodos do meu braço também, pois o câncer já estava avançado. Jamais pensei que faria quimioterapia e radioterapia, no entanto recebi o tratamento digno de uma imperatriz italiana, talvez por ser a única estrangeira naquele hospital ou estarem sensibilizados com minha doença.

O carinho e atenção que recebi de todos foram o suficiente para eu seguir a diante, mas o que mais me impressionou nisso tudo foram as palavras do médico, no dia em que eu saí do hospital, dizendo que minha vida continuava, bastava apenas eu querer.

Poucas coisas mudaram, deixei de fazer apenas algumas atividades que fazia antes, porém nunca tirei o sorriso do rosto ou passei a me amar menos. Afinal, tinha sonhos para realizar.

Isso tudo aconteceu no ano de 1999. Meses depois, eu estava de volta ao Brasil, quando recomecei minha vida. Pouco depois conheci meu marido, uma pessoa maravilhosa que reabriu minhas portas ao mundo.

No ano seguinte, meu esposo me presenteou com uma prótese mamária, pois sou muito vaidosa. Contudo, assim como acontece em muitos casos, meu corpo também rejeitou o implante.

Me explicaram que o motivo para tal rejeição foi uma pequena metástase encontrada em mim e, como na época estava com a imunidade baixa, não deu outra, o câncer tinha voltado.

Emagreci 11 kg, devido às inúmeras sessões de radio e quimioterapia, que faziam com que eu não me alimentasse direito. Sem contar o fato de estar muito deprimida, pois meu cabelo tinha começado a cair, diferentemente do que aconteceu na primeira vez.

Nem por isso meu marido deixou de cuidar de mim. Sempre esteve ao meu lado e provou a força do nosso amor, sabia que nada iria nos separar, muito menos a doença, até perucas ele comprava só para eu me sentir mais bonita. Desta vez, fui tratada como rainha, estava feliz novamente.

Portanto, digo com toda certeza, que o amor, a auto confiança e a vontade de viver salvam as pessoas em quaisquer situações que elas estejam. Perdi meu marido há 5 anos, mas nem por isso me abati. Continuo frequentando meu médico, faço os exames regularmente e os problemas, apesar de existirem, nunca me fizeram abaixar a cabeça, pois viver é muito mais importante.

Lutem, amigas, e jamais cedam para seus problemas. Os dois cânceres que tive me fizeram dar mais valor às certascoisas. Agradeço a Deus todos os dias por continuar nessa luta. Muito obrigada por mais esta oportunidade, Rita.

Rita Fedon

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