19.02.2019

Câncer de Mama: entenda as diferenças entre prevenção e detecção precoce

A prevenção e a detecção precoce do câncer de mama são essenciais para reduzir o índice de mortalidade da doença, mas antes de entrar especificamente nesses assuntos, é preciso compreender melhor como essa doença se desenvolve. O câncer de mama é resultado da multiplicação anormal e desordenada de células da mama, formando um tumor. Esse comportamento das células é provocado por uma alteração genética, que pode ser herdada (o que ocorre apenas em cerca de 10% dos casos) ou espontânea, provocada ao longo da vida.

Os estudos sobre câncer ainda não chegaram em uma resposta para explicar com precisão as causas do surgimento da doença nos casos de alteração genética espontânea. O que se sabe é que existem fatores de riscos modificáveis e não modificáveis que têm relação direta com as chances de uma pessoa desenvolver o câncer de mama.

Entre os fatores de risco não modificáveis, em especial para as mulheres com idade acima dos 35 anos, estão: menstruação precoce; primeira gravidez após os 30 anos; não ter filhos; menopausa depois dos 50 anos – considerada tardia; histórico familiar, sobretudo se um parente de primeiro grau, como mãe e irmã, teve a doença antes dos 50 anos.

Estes fatores são potencializados se a mulher se expor aos chamados fatores de risco modificáveis. Entre eles estão o tabagismo o consumo de álcool; sedentarismo e a obesidade. Também existem fatores chamados ambientais como uso de estrógenos, exposição à radiação ionizante ou ultravioleta, além de contato com certos produtos químicos e agentes infecciosos.

O que é a prevenção do câncer de mama?

Quando se fala em prevenção do câncer estamos tratando de estratégias para reduzir o risco de que a doença se desenvolva. A prevenção, em geral, atua sobre os fatores de risco modificáveis, portanto inclui mudanças de hábito que envolvem evitar o consumo excessivo de álcool, não fumar, praticar atividades físicas, ter uma alimentação saudável e evitar exposição aos riscos ambientais. Em conjunto, essas ações diminuem significativamente as chances de uma pessoa desenvolver câncer de mama. No entanto, mesmo que essas medidas sejam colocadas em prática, ainda existe a possibilidade, embora reduzida, do câncer de mama se manifestar.

Existe um grupo específico de mulheres portadoras de mutação genética hereditária que aumenta a predisposição ao surgimento do câncer de mama. A mutação mais comum é conhecida como BRCA. Para identificar a presença de mutação, essas mulheres precisam atender a um conjunto de características e realizar testes genéticos com acompanhamento de geneticista. Se comprovado o risco aumentado, é possível conduzir medidas preventivas adicionais. Nesses casos, a paciente e o médico devem avaliar as possibilidades, que podem ser mais ou menos invasivas e assegurar índice maior ou menor de redução de risco para a doença. Algumas medidas possíveis são a quimioprevenção, que consiste na administração de medicamentos como o tamoxifeno antes que a doença se manifeste para reduzir sua chance de desenvolvimento, e a cirurgia profilática, que consiste na retirada preventiva das mamas para evitar a formação de um tumor.

O que é a detecção precoce do câncer de mama?

A prevenção reduz as chances do câncer de mama se manifestar, mas infelizmente nem sempre é possível evitar completamente seu surgimento. É por isso que aliar prevenção à detecção precoce do câncer de mama é fundamental.
A detecção precoce do câncer de mama consiste na realização de exames que têm como objetivo garantir que a doença seja detectada o mais rápido possível, em sua fase inicial. Nessa etapa, os esforços não se direcionam a evitar que o câncer se manifeste, e sim a investigar se ele está presente, para possibilitar que o tratamento inicie o mais rápido possível em caso positivo. Por isso, os exames para detecção precoce não devem ser chamados de preventivos no caso do câncer de mama.

O câncer pode se manifestar antes que os sintomas sejam aparentes ou identificados pelo paciente e é por isso que manter os exames em dia faz toda a diferença. É importante ter em mente que quanto mais rápido o câncer de mama é diagnosticado e tratado, maiores são as chances de cura, com tratamentos menos invasivos para a paciente e com investimento menor e mais eficiente para a gestão pública.

Entre as estratégias de detecção precoce está o rastreamento do câncer, política de realização de exames na população de risco, em pessoas ainda sem sintomas No Brasil, a Lei 11.664/2008 define que a mamografia de rastreamento deve ser realizada anualmente em todas as mulheres com idade entre 40 e 69 anos, estratégia defendida pela FEMAMA e pela Sociedade Brasileira de Mastologia. Porém, o Ministério da Saúde adota como diretriz uma portaria posterior, que define que apenas mulheres entre 50 a 69 anos realizem o exame de rastreamento, com o máximo de dois anos entre os exames.

Além da mamografia de rastreamento, a detecção precoce do câncer de mama pode ser feita em consultas ao ginecologista através do exame clínico (palpação da mama pelo profissional de saúde), e por exames de imagem que possam ser solicitados pelo médico, como mamografia, ultrassonografia ou outros. Esses exames não são considerados preventivos, pois sua função é identificar um possível tumor que já esteja presente, para então agir rápido através do tratamento mais adequado a cada caso.

O autoexame é uma prática de autoconhecimento sobre o corpo, mas não substitui os exames de detecção precoce. Ele é importante para que as mulheres conheçam bem o seu corpo e identifiquem com facilidade qualquer alteração suspeita nas mamas, podendo assim procurar um médico o mais rápido possível para a realização de um exame diagnóstico.

Prevenção x detecção precoce

As estratégias de prevenção e detecção precoce do câncer de mama tem o mesmo objetivo: reduzir a mortalidade pela doença, mas atuam por vias diferentes. A primeira quer que as pessoas adotem hábitos saudáveis e evitem a exposição a fatores ambientes de risco para reduzir as chances da doença se desenvolver, bem como analisem estratégias profiláticas em casos de risco muito elevado para a doença geneticamente detectado. Já a segunda quer que as pessoas descubram a doença, caso presente, cada vez mais cedo, para que possam se tratar tendo em vista maiores chances de cura. As duas fazem parte de frentes diferentes para o combate à doença e precisam estar aliadas no combate ao câncer de mama.

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