A Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) participou no dia 21 de junho do Workshop “Desafios do Câncer de Mama”, que aconteceu durante o II Simpósio Internacional de Câncer de Mama em São Paulo (SP), promovido pela Novartis Oncologia. No evento foram apresentados os resultados da pesquisa Count Us, Know Us, Join Us (Conte-nos, Conheça-Nos, Junte-se a Nós), a primeira entre pacientes com câncer de mama em estadio avançado, realizada com 1.273 mulheres em doze países, incluindo o Brasil. A pesquisa foi conduzida via internet pela Harris Interactive, encomendada pela Novartis Oncologia e com o apoio da Femama, AMUCC, Instituto Oncoguia e Instituto Espaço de Vida.

No Brasil, a pesquisa aponta que 49% das mulheres com câncer de mama avançado têm sentimento de incompreensão, já que poucos entendem o que elas passam por conta da doença. A desinformação também é um fator preocupante: 80% delas sentem que faltam materiais informativos com dados gerais e adequados sobre o câncer de mama metastático ou avançado; e 91% das brasileiras acreditam que a existência e o acesso a informações direcionadas ajudaria seus familiares e amigos a compreenderem melhor a doença.

No debate mediado pela Dra. Maira Caleffi, médica mastologista e presidente da Femama, a paciente Laís Barbosa deu depoimento sobre as dificuldades que enfrenta por conta do câncer de mama avançado. “Tive câncer de mama em 2003, fiz todo o tratamento e estava curada. Porém, oito anos depois, ele voltou e foi muito mais difícil aceitar. Eu tinha duas escolhas: entregar-me ou lutar pela minha cura. E eu decidi lutar por mim e por outras mulheres que também sofrem dessa doença.”

De acordo com Dra. Maira, o estadio avançado/metastático acontece em 31% das pacientes diagnosticadas com câncer de mama. “Precisamos nos dedicar cada vez mais para um tratamento digno dessas pacientes, apoiá-las e oferecer mais informações a toda sociedade”, ressalta.

Durante o evento também foi lançada a campanha #OTempoCorreContra, criada pela G2 Brasil, em favor da Lei dos 60 Dias. A lei entrou em vigor no dia 23 de maio deste ano e afirma que o governo tem a obrigação de garantir, através do SUS (Sistema Único de Saúde), o início do tratamento do câncer em até 60 dias após o diagnóstico da doença.

O Workshop também contou com as presenças do Dr. Antônio Carlos Buzaid (chefe geral do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes), que comentou sobre o que é o câncer, suas causas e quais os tipos de tratamento; Dr. Rafael Kaliks (oncologista clínico do Hospital Albert Einstein e diretor científico do Instituto Oncoguia), que explicou o que é o câncer metastático e quais os riscos da recidiva (reincidência da doença após algum tempo da suposta cura); e o Dr. Otávio Clark (oncologista e diretor de Evidências e Credibilidade Científicas), que falou sobre a importância das drogas orais no tratamento do câncer versus o custo-benefício das mesmas.

A segunda parte do evento, conduzida por Alessandra Durstine, consultora internacional de Direitos de Pacientes, reuniu instituições filantrópicas de todo o Brasil, incluindo Associadas Femama, no Fórum de Discussão sobre os Desafios e Prioridades das Mulheres com Câncer de Mama avançado.

Além da apresentação da pesquisa Count Us, Know Us, Join Us, as instituições assistiram à apresentação da Dra. Maira Caleffi, com o tema “Desafios para Mulheres com Câncer de Mama Avançado”, que pontuou de maneira aprofundada o que é a linha de cuidado no câncer. “Estão claras as necessidades urgentes de médicos mais preparados para atender estes pacientes e do acesso a medicamentos de alta qualidade”, destaca Dra. Maira.

Uma das principais conclusões é a de que médicos, familiares e pacientes ainda possuem uma resistência em assumir ou falar claramente quando se trata de câncer metastático. “É necessário vencer a discriminação e conscientizar-se de que o problema deve ser tratado com clareza e muita informação”, reforça Caleffi.

O Fórum contou ainda com o debate sobre Responsabilidade Compartilhada para dar voz a Pacientes de Câncer de Mama Avançado que teve a participação do Dr. José Getúlio Martins Segalla, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, que discorreu sobre a reponsabilidade da comunidade médica; Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia, representou a sociedade civil destacando a importância da mobilização para a melhoria de acesso e tratamento e a jornalista Jacqueline Falcão, de O Globo, que ressaltou por quais caminhos a mídia pode apoiar e ajudar a conscientização sobre o cenário do câncer de mama no Brasil.

Para encerrar Leoni Simm, representante da AMUCC – Associação Brasileira de Portadores de Câncer - fez o convite a todas as instituições presentes para assinarem o Compromisso com Mulheres com Câncer de Mama Avançado.