Um diagnóstico precoce pode salvar vidas. Esse é o argumento usado pela Recomeçar – Associação das Mulheres Mastectomizadas de Brasília, ONG associada à FEMAMA em Brasília (DF), para pedir a aprovação de projeto (PL 275/15) de autoria da deputada federal por Santa Catarina, Carmen Zanotto.


Mulheres integrantes da associação, que luta por políticas públicas de saúde e prevenção para pacientes com câncer, estiveram na Câmara dos Deputados (nesta quarta-feira, 17) para pedir mais rapidez na apreciação da proposta.


A proposição prevê que os pacientes do SUS, Sistema Único de Saúde, que tenham suspeita de câncer tenham o exame de biópsia realizado em até 30 dias. Carmen Zanotto explica que a proposta, em conjunto com a lei que já garante o início do tratamento aos pacientes em até sessenta dias (Lei 12.732/12), poderá diminuir os índices de mortalidade da doença.


"Se nós priorizarmos os exames para os pacientes com câncer, nós estaremos fazendo o que? Abreviando o risco de um diagnóstico tardio e uma complicação inclusive, custos maiores para o tratamento, posteriormente".
Como exemplo, Carmen Zanotto afirmou que, atualmente, algumas mulheres esperam até 24 meses para a realização de um exame simples de biópsia do câncer de mama, o que pode atrapalhar o tratamento da doença ou levar à morte das pacientes.


A ativista Joana Jeker também ressaltou a necessidade de um diagnóstico precoce.


"As pessoas demoram muito e muito tempo para conseguir ter acesso a uma mamografia, uma ecografia, uma biópsia, e o que a gente está clamando aqui na Casa é a aprovação do projeto de lei que determina o prazo de 30 dias para exames diagnósticos do câncer no SUS quando já houver suspeita da doença. Ou seja, no caso do câncer de mama, quando a paciente chega ao posto de saúde com um nódulo palpável, o médico vai pedir exames, e esse exame terá que ser feito em até 30 dias para que ela tenha uma chance de ter um diagnóstico rápido da doença e de se tratar e se curar".


Joana lembra que relatório do Tribunal de Contas da União aponta que 65 por cento dos casos de câncer no SUS foram diagnosticados em estágios avançados da doença, quando as possibilidades de cura são menores e os tratamentos são mais invasivos, mais demorados e mais caros.


Para 2018, o Inca, Instituto Nacional do Câncer estimou 582 mil novos casos da doença. Desses, mais de dez por cento são de câncer de mama. O diagnóstico precoce do câncer de mama pode garantir a cura em cerca de noventa por cento dos casos.

 

Com informações de Rádio Câmara, 17/10/2018