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Câncer de mama é o tumor que mais provoca internações na região de Ribeirão Preto

 

Foto: Em Ribeirão

Foto: Em Ribeirão

15/06/2018

Boletim Saúde do Ceper/Fundace revela que das 13.489 internações realizadas pelo SUS ao longo de dez anos, 41,5% foram decorrentes do câncer de mama


O câncer de mama é a doença que mais provocou internações pelo SUS na região de Ribeirão Preto, entre 2008 e 2017, como mostra o Boletim Saúde de Maio do Ceper/Fundace. De um total de 13.489 internações realizadas pelo SUS em decorrência de tumores, 41,5% foram devido à neoplasia maligna da mama.

Consequentemente, o câncer de mama também é o que mais gera custos para o sistema público de saúde. Durante os dez anos analisados, 48% do total gasto (mais de R$ 7 milhões) com internações decorrentes de tumores malignos – mais de R$ 15 milhões – foram em decorrência de tumores de mamas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de mama é o mais frequente entre as mulheres, representando 22% do total de novos casos de câncer no mundo.

Dando sequência à série de estudos sobre a realidade dos serviços de saúde na região de saúde de Ribeirão Preto, o Boletim de Maio trata sobre neoplasias. Foram avaliados dados de dez anos (de 2008 a 2017) relacionados aos tumores malignos e benignos que afetam somente ou predominantemente as mulheres, como o de mama, colo do útero e ovário.

A base de dados reúne informações do DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil), do SIH/SUS (Sistemas de Informações Hospitalares do SUS) e SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade).

No período avaliado, foram 5599 internações decorrentes do câncer de mama, sendo 49 pacientes do sexo masculino e 5550 do sexo feminino. As mulheres de 40 a 69 anos são as mais afetadas pela doença e representam mais de 69% do total das internações.

Dentre as cidades analisadas no estudo, chamam atenção Altinópolis, Cajuru, Cássia dos Coqueiros e Santa Cruz da Esperança. Nesses municípios, a cada mil mulheres residentes, aproximadamente três foram afetadas e precisaram ser internadas em decorrência de tumores relacionados à saúde da mulher.

Outro aspecto que chama atenção na pesquisa em relação ao câncer de mama é que apesar de a doença acometer principalmente mulheres acima dos 40 anos, ela também pode surgir em mulheres jovens e homens. No período avaliado, houve 49 internações decorrentes do câncer de mama em homens e 789 em mulheres de 10 a 39 anos.

Mortes - O levantamento também analisa a mortalidade das pacientes com câncer e novamente o tumor de mama aparece em primeiro lugar da lista. Ele é o que mais leva mulheres a óbito na região de Ribeirão Preto (37% do total das mortes decorrentes de tumores malignos) seguido pelo câncer de pulmões e brônquios (30%).

Cabe ressaltar aqui que o câncer de mama pode ser diagnosticado precocemente com exames constantes e acompanhamento da saúde da mulher, enquanto os cânceres de pulmão, em 90% dos casos, são decorrentes de maus hábitos, como o tabagismo, segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer). O Instituto ainda recomenda medidas de prevenção como não fumar e que mulheres entre 25 e 64 anos façam exames ginecológicos com regularidade.

Nos dez anos estudados, ocorreram 73.745 casos de tumores, incluindo homens e mulheres. Destes, 35.368 são em homens e 38.377 em mulheres, o que representa 52% e 48% respectivamente. No mesmo período também foram registrados 4.635 óbitos, sendo 2.546 homens (55%) e 2.089 mulheres (45%).

Estes números representam uma inversão de expectativas, pois os menos acometidos pelas enfermidades são os que mais morrem. “Tal ocorrência pode ser justificada pelo fato de que as mulheres cuidam mais da própria saúde, vão mais ao médico e seguem o tratamento com mais disciplina que os homens. O fato de irem mais ao médico ajuda na descoberta da doença ainda no início, o que é imprescindível para a maior eficácia do tratamento” avalia o pesquisador do Ceper e coordenador do Boletim Saúde, André Lucirton Costa.

No estudo, Ribeirão Preto se destaca no índice de óbitos decorrentes de tumores relacionados à saúde da mulher. Por ano, foram registradas 5,44 mortes para um grupo de 10 mil mulheres. Na maior parte das cidades analisadas, este índice fica entre 0 e 2 mortes. “A grande discrepância acontece pela concentração dos tratamentos em Ribeirão Preto, que é referência no atendimento de casos de alta complexidade e, portanto, naturalmente atrai os casos mais graves”, explica André.

Para mais informações, o Boletim Saúde de Maio 2018 está disponível no site da Fundace no endereço: https://www.fundace.org.br/_up_ceper_boletim/ceper_201805_00365.pdf



Fonte: Em Ribeirão, 30/05/2018



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