Entenda a importância das drogas orais para pacientes com câncer

27.07.2020

Os avanços tecnológicos, a velocidade das informações e o desenvolvimento de pesquisas ampliam cada vez mais as possibilidades de tratamentos e cuidados inovadores aos pacientes de câncer. Um exemplo disso são as drogas orais para auxiliar no processo de enfrentamento da doença, que adicionam comodidade ao tratamento.

Graças aos estudos e bons resultados na área, as quimioterapias orais, por exemplo, já atuam como uma alternativa, que oferece mecanismos de cuidados específicos, além de permitir mais precisão e segurança. E é sobre as drogas orais e seus benefícios que iremos falar neste texto. Acompanhe: 

Drogas orais: inovações no tratamento oncológico

Vivemos um momento em que as novas tecnologias permitem inovações constantes em quase todos os aspectos de nossas vidas, inclusive na oncologia. Os pacientes com câncer já possuem diferentes tipos de tratamento, desde os mais invasivos até opções mais confortáveis. Tudo vai depender do esquema de tratamento indicado pelo médico conforme o quadro clínico de cada paciente.

Este tipo de terapia é projetado para bloquear o desenvolvimento e multiplicação das células cancerígenas em nosso organismo. Por meio das drogas orais, essas substâncias agem para identificar e atacar especificamente aquelas células que são responsáveis pela existência do câncer no corpo, sem provocar prejuízos às células saudáveis. É importante destacar que cada tipo de droga oral funciona de forma diferente (porém todas as aplicações compartilham do objetivo de alterar a forma como a célula comprometida cresce, se divide e/ou interage com outras células).

Terapia-alvo por meio de drogas orais

A terapia-alvo, também chamada de tratamento de precisão, corresponde a um tratamento personalizado de acordo com o tipo de câncer da paciente. Essa recente alternativa apresenta maior eficácia e menos efeitos colaterais, pois age especificamente na proteína que atinge as células cancerosas, causando danos menores nas células saudáveis em comparação com medicamentos convencionais. A terapia-alvo age com o objetivo de inibir a ação das células cancerosas e reduzir o crescimento tumoral. Para indicar a terapia-alvo mais precisa, o médico deve identificar os tipos de proteínas que as células cancerosas apresentam, os tipos de mutações e suas extensões.

Nos casos de câncer de mama, também é necessário saber, por meio de biópsia, se as células cancerosas apresentam receptores hormonais e o receptor HER2, além de mutações específicas, como PIK3CA. É importante que a paciente se informe com o seu médico para ter ciência da classificação correta da doença e saber se já existe terapia-alvo específica para o seu tipo de câncer.

Alguns exemplos de terapias-alvo orais com para câncer de mama incluem:

Everolimo

Everolimo é uma terapia-alvo oral focada na fase metastática do câncer de mama hormônio-positivo e que tem como mecanismo de ação a inibição da proteína intracelular mTOR que age na proliferação das células cancerígenas. Pesquisas indicam que o medicamento é capaz de retardar o uso da quimioterapia, prolongado o tempo de sobrevida livre de progressão da doença, sem comprometer a qualidade de vida da paciente.

Lapatinibe

Este tipo de terapia-alvo também é conhecido como inibidor de quinase. Sua administração acontece todos os dias e por via oral, em pacientes com câncer de mama em estágio avançado e que não respondem ao tratamento com trastuzumabe. Costuma ser combinado com outros medicamentos de quimioterapia ou hormonioterapia.

Olaparibe

Terapia-alvo inibidora de PARP, é indicada para pacientes com câncer de mama metastático HER2 negativo com mutação no gene BRCA que já foi tratado com quimioterapia. Pacientes do subtipo triplo negativo que sofrem com a mutação também podem se beneficiar com a droga.

Inibidores CDK: outro tipo de drogas orais

Cerca de 67% dos cânceres de mama são receptores hormonais positivos (RE+ ou RP+). Para as mulheres com esses tipos de câncer, o tratamento com hormonioterapia é frequentemente útil para evitar e/ou reduzir o volume do tumor. Certas terapias-alvo podem potencializar a hormonioterapia, no entanto esses medicamentos-alvo também podem adicionar efeitos colaterais. 

Esses inibidores consistem em medicações reguladoras do ciclo celular. E considerando que a inibição das ciclinas garante que células doentes não entrem em divisão celular, o uso dos medicamentos permite assim que se proliferem e morram, quebrando um ciclo de crescimento tumoral. Para tratar essa condição, é preciso fazer a utilização de uma terapia-alvo conhecida como inibidora de CDK. Este tratamento interrompe a atividade de enzimas promotoras da multiplicação de células cancerosas conhecidas como quinases dependentes de ciclina 4/6 (CDK 4/6). 

Os inibidores das enzimas CDK4 e CDK6 são utilizados para o tratamento do subtipo mais comum de câncer de mama, chamado RH+/HER2- (receptor hormonal positivo/receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 negativo). No Brasil, a ANVISA já liberou o uso de três medicamentos de uso oral para pacientes com câncer: 

Palbociclibe

O Palbociclibe é um inibidor de quinase de múltiplas ciclinas (CDK4/6), que associado à hormonioterapia (letrozol ou fulvestranto), em primeira e segunda linha metastática nesses subtipos de tumores demonstrou excelentes taxas de controle tumoral e mais do que duplicou o tempo de vida livre de doença. 

Abemaciclibe

O tratamento oral é indicado em combinação com um inibidor da aromatase como terapia endócrina inicial, em combinação com fulvestranto como terapia endócrina inicial ou após terapia endócrina, no cenário de doença avançada/metastática. Também pode ser administrado sozinho, após progressão da doença depois do uso de terapia endócrina e quimioterápicos anteriores para doença metastática.

Ribociclibe

O inibidor de CDK4/6 ribociclibe é também outro representante desta nova classe de medicações. Ele pode ser usado em pacientes com câncer de mama metastático RH+/HER2- associado ao inibidor de aromatase ou fulvestranto, em 1ª e 2ª linhas. No caso da combinação com tratamento endócrino convencional apresenta melhoras significativas na sobrevida global de mulheres mais jovens ou mulheres após a menopausa, com câncer de mama avançado positivo para receptor hormonal (Rh+) em comparação com o tratamento endócrino isolado. 

Saiba mais sobre inibidores CDK e regularização no Brasil.

Facilidade para a vida dos pacientes

O uso de quimioterapia oral - medicamento administrado pela boca, geralmente na forma de comprimido, cápsula ou líquido, facilita a vida do paciente, que pode usar o medicamento no conforto do seu lar, sem a necessidade obrigatória do acesso venoso para a administração. Porém, este formato de cuidado também aumenta a responsabilidade e compromisso do paciente e de seus acompanhantes, já que deve seguir perfeitamente as seguintes orientações:

  • Horários e dosagem
  • Alimentação
  • Armazenamento do medicamento
  • Controle de efeitos colaterais

É importante ressaltar que independente da medicação ser oral o paciente necessita de monitoramento médico. Além disso, faz-se necessário atentar para qualquer efeito colateral durante a quimioterapia, como problemas no estômago, vômitos e náuseas. Às vezes, pode ser necessário fazer algumas alterações no esquema de tratamento.

As drogas orais se configuram, hoje, como alternativas estratégicas e possíveis para os cuidados com os pacientes com câncer, e por essa razão, precisamos ampliar cada vez mais o acesso a este tipo de tratamento.

Lei das Drogas Orais para tratamento de câncer

No dia 12 de maio de 2013, a lei nº 12.880/13, conhecida como Lei das Drogas Orais, determinou a inclusão de medicamentos de uso oral para o tratamento de câncer de mama no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde (ANS). 

A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA) esteve presente em todo o processo de tramitação desta lei, realizando o acompanhamento dos avanços em todas as comissões, a análise das emendas apresentadas e a articulação com os parlamentares envolvidos.

Em junho de 2020, o Projeto de Lei 6330/2019 - conhecido como PL da Quimio Oral, que torna obrigatória e automática a cobertura pelos planos de saúde de tratamentos orais de câncer aprovados pela ANVISA, passou no Plenário do Senado. Este projeto de lei dispensa a necessidade de esperar pela atualização do Rol de Procedimentos da ANS, que acontece de dois em dois anos.

Os próximos passos serão apreciação na Câmara dos Deputados e, se aprovado, sanção presidencial. A FEMAMA em conjunto com diversas organizações apóia e contribui com a campanha #SimParaQuimioOral, proposta pelo Instituto Vencer o Câncer (IVOC).

Ah, e lembre-se!

Cada paciente tem um histórico e quadro clínico particular. Por isso, precisamos articular e compreender formas diferentes e personalizadas para cada um deles, respeitando suas condições específicas. Para o tratamento, é necessário considerar não somente o quadro em que se encontra a doença, mas também quais são as características e condições do paciente. É, por essa razão, as drogas orais (além da quimioterapia tradicional), podem ser utilizadas de forma isolada ou combinadas, com o objetivo de oferecer o tratamento mais adequado ao paciente.