Vacinação para pacientes com câncer em tratamento: cuidados e especificidades

01.11.2021

Conviver com o câncer faz parte da vida de muitas pessoas, e os cuidados são fundamentais. Nesse sentido, a vacinação para pacientes com câncer também precisa de atenção. Isso porque, algumas vacinas não devem ser tomadas por quem está se tratando, e outras requerem alguns cuidados em relação a exames e janelas de tratamento.

Os Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs) têm um papel importante na imunização da população, com atenção especial aos portadores de imunodeficiência congênita ou adquirida. No segundo caso estão inseridos os pacientes com diversos tipos câncer, em particular aqueles que afetam a medula óssea – como leucemia e linfoma –, pois esses geralmente impedem que a medula óssea produza leucócitos normais (células B e células T), integrantes do sistema imunológico.

Uma dica valiosa para quem acaba de descobrir que está com câncer é conversar com médico, ir a um posto de saúde e colocar em dia sua carteira de vacinação. Isso porque a resposta imunológica antes do início do tratamento é melhor do que durante ou depois. 

O papel dos CRIEs na vacinação para pacientes com câncer

Os Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais são orientados pela Portaria nº 48, de 28 de julho de 2004, que determina em todo território nacional a sua atividade e a instrumentalização, bem como estabelece as competências da Secretaria de Vigilância em Saúde, nos estados e Distrito Federal.

O objetivo dos CRIEs é prevenir as doenças contidas do Programa Nacional de Imunizações (PNI), além de atuar em prol da investigação, acompanhamento e elucidação dos casos de eventos adversos graves e/ou inusitados associados à aplicação de imunobiológicos.

Para ser atendido em uma unidade dos CRIEs é necessário apresentar a prescrição com indicação médica e um relatório clínico sobre a condição de saúde. O médico ou enfermeiro responsável irá avaliá-los e determinar se há a liberação.

A vacinação para pacientes com câncer nessas unidades pode ocorrer mesmo para aqueles que moram distante de um centro de referência. Para conseguir o acesso, o paciente precisa procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima, que irá realizar a solicitação para a unidade do estado ou às Secretarias Municipais da Saúde. Na sequência, a vacina é enviada para o local e a aplicação ocorre lá.

Tipos de vacina e impedimentos

A vacinação para pacientes com câncer deve respeitar uma regra simples: vacinas que são inativadas podem ser aplicadas. Já as com bactérias ou vírus vivo (ativas), não. Isso porque, durante o tratamento do câncer, o sistema imunológico já está comprometido e a bactéria ou o vírus vivo poderá causar um quadro de infecção. 

De forma mais detalhada, vacinas são antígenos, ou seja, substâncias que atuam estimulando o desenvolvimento de anticorpos pelo sistema imune. As vacinas mortas ou inativas são mais “leves” para o organismo. Porém, é importante ressaltar que a eficácia da vacinação para pacientes com câncer não será a mesma se comparada àquelas tomadas antes do início do tratamento, ou então, de três a seis meses após o final do período de intervenção médica. 

Essa diferenciação se dá pelo fato de que, durante a quimio ou radioterapia, o paciente tem uma resposta imunológica menor, o que significa que menos anticorpos são criados. A inativação nessas vacinas é realizada com o uso de fenol, formol ou calor. De modo geral, a vacina inativada é formulada com adjuvantes (que são componentes que ajudam na estimulação do sistema imunológico), portanto podem contemplar a vacinação para pacientes com câncer.

Tipos de vacinas inativadas (que podem ser aplicadas em pacientes oncológicos):

  • raiva

  • Influenza

  • pólio injetável 

  • hepatite A 

  • hepatite B

  • HPV

  • pneumonia pneumocócica (bactérias inativadas)

  • cólera (bactérias inativadas)

  • vacinas meningocócicas (conjugadas ou com 4 componente proteicos)

No caso das vacinas que o paciente não pode tomar, indica-se que pessoas que convivem com o mesmo se imunizem, evitando contaminá-lo com alguma doença.

Vacinas especialmente recomendadas para pacientes com câncer

Todos os pacientes com câncer com mais seis meses de idade devem receber a vacina Influenza anualmente. A vacina influenza quadrivalente (4V) é preferível à vacina influenza trivalente (3V), já que oferece proteção contra mais tipos de vírus responsáveis pela doença. Porém, enquanto a primeira está disponível em UBS e nos CRIEs, a segunda só pode ser tomada no serviço privado.

As vacinas pneumocócicas conjugadas (VPC10 e VPC13) também são altamente recomendadas. Em pacientes com mais de 6 anos, adolescentes e adultos, a única vacina pneumocócica conjugada licenciada e recomendada é a VPC13. Está recomendado o esquema sequencial para uma melhor proteção: realizar a vacina pneumocócica 13 valente (VPC13) e, dois meses depois, realizar a vacina polissacarídica pneumocócica 23 valente (VPP23). Em relação ao esquema de doses, adultos e idosos não vacinados com VPC13 devem tomar uma dose de VPC13. Para quem já recebeu a VPP23, mas ainda não foi vacinado com a VPC13, recomenda-se um intervalo de 12 meses para a aplicação da VPC13. 

Em relação à vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23), o esquema de doses fica assim: a partir dos 2 anos de idade são dadas duas doses com intervalo de cinco anos entre elas. 

Outras vacinas disponíveis nos CRIEs para pacientes oncológicos são:

  • HPV

  • Vacina Haemophilus influenzae b (Hib)

  • Vacinas meningocócicas conjugadas (MenC ou ACWY)

  • Vacina Hepatite A

  • Vacina Hepatite B

Saiba mais sobre as vacinas disponíveis acessando este guia.

E as vacinas para a COVID-19?

As vacinas disponíveis hoje são feitas por uso do vírus inativado, fragmentos do vírus, RNA mensageiro e/ou veículo adenovírus, portanto não apresentam risco para os pacientes com câncer em tratamento. Caso o paciente esteja concluindo o protocolo de quimioterapia e for aceitável na região onde vive, é indicado aguardar três semanas após o último procedimento. É interessante ressaltar que não se deve esperar a segunda dose para continuar a quimioterapia.

Também não existem contraindicações para a vacinação para pacientes com câncer durante o uso do tamoxifeno ou outros inibidores de hormônios. O tratamento com radioterapia não impede a realização da vacina contra a Covid-19.

 

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