28.05.2021

Reconstrução da mama: esclareça todas as suas dúvidas

A reconstrução da mama é uma cirurgia plástica reparadora, que tem como intuito auxiliar na autoestima de mulheres – e homens, pois eles também podem ter câncer de mama – realizada após a mastectomia, ou seja, a remoção da mama em consequência ao tratamento do câncer de mama. 

Esse procedimento cirúrgico leva em consideração o tamanho, forma e aparência da mama retirada, para que o resultado final  da reconstrução  seja o mais natural possível. É importante apontar que nem sempre há indicação para o procedimento no mesmo tempo cirúrgico da mastectomia, mas na maioria dos casos sim. O médico é quem verificará a possibilidade de submissão ao procedimento, e o paciente pode optar por fazê-lo ou não, de acordo com a vontade dele. 

A realização da reconstrução da mama pode se dar durante a própria cirurgia de mastectomia, ou seja, reconstrução imediata. Ou, ainda, pode ser feita de semanas a anos depois, denominando-se reconstrução tardia. 

Quem pode se submeter à reconstrução da mama?

Em 24 de abril de 2013 foi aprovada a Lei da Reconstrução Mamária  nº 12.802/2013, que atualizou a Lei nº 9.797/1999. A antiga lei já dava o direito aos pacientes mastectomizados passarem pela cirurgia plástica, mas não existia prazo para tal. 

Com a nova determinação, o procedimento pode ser realizado pelo SUS imediatamente após a retirada do tumor, se houver condições clínicas, ou assim que a paciente apresentar os requisitos necessários, de acordo com a avaliação do médico. Além do SUS, os planos de saúde também são obrigados, pela Agência Nacional de Saúde (ANS), a oferecer cobertura para a cirurgia de reconstrução de mama após realização de mastectomia. Caso o câncer seja nas duas mamas, a Lei permanece ativa.

O momento ideal para a reconstrução da mama depende do tipo de câncer e do estágio, e também das características pessoais de cada paciente. Assim, é fundamental conversar com o mastologista antes da mastectomia, e com o cirurgião plástico antes da reconstrução.

É fundamental salientar que, por mais que ela faça o paciente se sentir melhor sobre sua aparência, a mama reconstruída não será exatamente igual à mama natural. Também existe o fato de que, se o tecido da sua barriga, costas ou nádegas foi usado como parte da reconstrução, essas áreas também parecerão diferentes após a cirurgia. 

Geralmente, o procedimento deixa cicatrizes, mas elas costumam desaparecer com o tempo. Técnicas mais recentes também reduziram a quantidade de cicatrizes.

Constituição e tipos de reconstrução de mama

A mama é formada por tecido adiposo, glandular e fibroso. Dentro dela, existem vasos sanguíneos, ductos lactíferos, gordura, glândulas e nervos sensoriais. Abaixo, há o músculo que ajuda na movimentação do braço. 

Existem três formas de fazer a retirada da gordura e da pele necessárias para a composição da mama reconstruída. São eles:

Retalho miocutâneo do músculo reto abdominal (TRAM)

Utiliza pele, gordura e músculos da parte inferior abdominal. O procedimento cria uma espécie de túnel, levando o tecido até a mama, mas permanecendo preso à área de onde foi retirado, para manter a vascularização. Estão aptas para este tipo de cirurgia pacientes que tenham tecido adiposo sobressalente. Por causar um enfraquecimento na região em que o tecido foi retirado, é utilizada uma tela de polipropileno para reforçar a área do abdômen.

Retalho perfurante da artéria epigástrica (DIEP)

Retira parte do tecido adiposo da barriga para inserir na região a ser reconstruída. Necessita de uma microcirurgia para a ligação dos pequenos vasos. Não utiliza tecido muscular.

Retalho do músculo grande dorsal

Faz a rotação de retalho ou músculo grande dorsal (nas costas) do mesmo lado da mama que precisa ser reconstruída. O procedimento é indicado para casos em que não há pele suficiente na região da mama para a reconstrução ou há algum impeditivo para uso de retalho de outra região.

Para escolher o método, junto ao médico, é preciso levar em conta fatores como: 

• saúde e seu estilo de vida;

• constituição corporal;

• tamanho da mama;

• preferência pessoal;

• quantidade de pele e de tecido.

A reconstrução de mama pode ser realizada também  com implantes de mama, ou pela combinação do tecido próprio da paciente e um implante de mama.

Riscos do procedimento e outras consequências

A mama reconstruída não terá a mesma sensibilidade que uma mama natural, isso vai variar de caso a caso,. As áreas de onde o tecido foi retirado para reconstruir a mama também podem perder alguma sensibilidade. Com o tempo, a pele pode ficar mais sensível, mas dificilmente terá a mesma sensibilidade de antes da cirurgia.

 

Riscos de infecção

A infecção pode acontecer em qualquer cirurgia, mais frequentemente nas primeiras semanas após a operação. 

Riscos de contratura capsular

Para o caso da reparação de mama com o silicone há o risco da contratura capsular. Ela ocorre quando, ao redor do implante, forma-se uma cápsula. Se ela se fechar muito, pode começar a apertar o implante, fazendo com que a mama pareça dura. 

Riscos para fumantes

Fumar faz com que vasos sanguíneos fiquem mais estreitos, reduzindo o fornecimento de nutrientes e oxigênio aos tecidos. Assim, pode atrasar a cicatrização em qualquer cirurgia. 

A reconstrução de mama aumenta os riscos de reincidência do câncer?

Não. Caso ele volte, as mamas reconstruídas não irão dificultar a detecção ou o tratamento do câncer.

Recuperação do procedimento

A maioria dos pacientes pode começar a voltar às atividades normais dentro de seis a oito semanas, que é quando todos os hematomas e o inchaço desaparecem. Pode levar de um a dois anos para os tecidos cicatrizarem totalmente e para que as cicatrizes reduzam. 

É provável que a mulher precise reavaliar os sutiãs que usa, dependendo do tipo de cirurgia a qual foi submetida. Pode ser que a armação e a renda sejam desconfortáveis se pressionarem as cicatrizes. Como regra básica, indica-se evitar levantamento de peso, esportes mais pesados e relações sexuais por quatro a seis semanas após a reconstrução de mama.

Mulheres que passam por uma reconstrução meses ou anos após uma mastectomia podem passar por um período de ajuste emocional depois de terem suas mamas reconstruídas. Assim como leva tempo para se acostumar com a perda de uma mama, também leva tempo para começar a pensar na mama reconstruída como própria.

Caso o paciente note quaisquer novas alterações na pele, como inchaço, caroços, dor ou vazamento de líquido da mama, axila ou área doadora do retalho, é indicado entrar em contato prontamente com o médico.

Outros desafios

Com a chegada do Covid-19 no Brasil, em 2020, sabemos que muitas cirurgias consideradas eletivas estão sendo postergadas e os direitos dos pacientes não estão sendo levados em consideração. Seguimos atuando diariamente na defesa dos direitos das pacientes com câncer de mama.

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